Antropológica do espelho: uma teoria da comunicação linear e em rede/ Muniz Socré – Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

ANTROPOLOGICA DO ESPELHO - UMA TEORIA DA COMUNICACAO LINEAR E EM REDE

Págs. 9 - Apresentação

  • Espelho é metáfora para: mídia linear ou tradicional; teletecnologias; comunicação em rede (hipermídia.
  • Pressuposto: Há um novo ordenamento artificial do mundo
  • Se há, então quais suas resultantes em termos de poder, identidade, mentalidade e conduta.
  • Divisão do livro: ethos midiatizado; hexis educativa; communitas, ethike; communication e episteme.


Págs 11 - O ethos midiatizado

  • Mídia – bios virtual – “terceira natureza” – nova qualificação da vida; criação de uma eticidade (costume, conduta, cognição, sensoriarismo).
  • A virada para o século XXI significou: a passagem da comunicação centralizada vertical e unidirecional para as possibilidades trazidas pelo avanço técnico das telecomunicações,  relativas à interatividade e  multimidialismo.
  •  Globalização  = “teledistribuição” mundial de pessoa e coisas. Mais investimento em engenharia microeletrônica (nanotecnologia), computação, biotecnologia e física.
  • Informação é produto (filmes, noticiais, sons, imagens, etc.)
  • “sociedade da Informação” indiferente a tudo que não seja a velocidade de seu processo distributivo de capitais e mensagens.

Págs. 12 

  • As transformações tecnológicas da informação mostram-se francamente conservadoras das velhas estruturas de poder, embora possam aqui e ali agilizar o que, dentro dos parâmetros liberais, se chamaria de “democratização”, “mutação tecnologica”.



Págs. 13

  • Ocorreu uma maturação tecnológica do avanço científico, que resulta em hibridização e rotinização de processos de trabalho e recursos técnicos já existentes sob outras formas (telefonia, televisão, computação) há algum tempo. Hibridizam-se igualmente as velhas formações discursivas (texto, som, imagem), dando margem ao aparecimento do que se tem chamado de hipertexto ou hipermídia.
  • Revolução da Informação:  centra-se na virtual anulação do espaço pelo tempo, gerando novos canais de distribuição de bens e a ilusão da ubiqüidade humana (Faculdade de estar presente em diversos lugares no mesmo instante.). O que tem de novidade é o fenômeno da estocagem de grandes volumes de dados e a sua rápida transmissão, acelerando, em grau inédito na história, isto que se tem revelado uma das grandes características da modernidade – a mobilidade ou circulação das coisas no mundo.

Págs. 14

  • O espírito do tempo atual, em crescente hegenomia,  não é a mera presença maciça da técnica nos processos sociais, e sim a singular relação intensificadora das neotecnologias com o fluxo temporal.
  • A economia capitalista favorece uma catalaxia, ou seja, um ordenamento mercadológico do mundo. Um novo tipo de ideologia planetarista capaz de perpassar as instâncias econômicas, políticas, sociais e culturais.

Págs. 15

  • A negociação empresarial e o comércio por meios eletrônicos demandam a mudança de métodos, gestões e padrões  de qualificação profissional, ensejando uma nova cultura pública, fortemente comprometida com o espírito do tempo.
  • Objetos técnicos – novo indutor de nomadismo (modo de vida que não tem lugar próprio) e velocidade.
  • Campo da mídia – Telecomunicações por toda parte. Avança-se na direção da montagem de infra-estruturas para as infovias ou para os serviços de informação de alta velocidade. 
  • Tem-se chamado de comunicação a aceleração do processo circulatório dos produtos informacionais (culturais) que integra o plano sistêmico da estrutura de poder. Em jogo um novo tipo de exercício de poder sobre o individuo ( o “infocontrole” a “datavigilância”).


Págs. 16

  • Novo tipo de formalização da vida social: outra dimensão da realidade; do tempo real (comunicação instantânea, simultânea e global); do espaço virtual (criação por computador de ambientes artificiais e interativos).
  • Toda e qualquer sociedade constrói (por pactos semânticos ou semióticos), de maneira mais ostensiva ou mais secreta, regime auto-representativos ou de visibilidade pública de si mesma.


Págs. 17

  • Com as tecnologias do som da imagem (rádio, cinema, televisão) surge um novo modo de auto-representação social e, por certo, um novo regime de visibilidade pública. 
  • Tecnocultura – uma cultura da simulação ou do fluxo, que faz da “representação apresentativa” uma nova forma de Vida.
  • Paradigma analógico-digital – Técnicas: convergência digital; unificação de telefonia; radiodifusão, computação e imprensa escrita; econômicas: conglomerados poderosos; políticas: redesenho do controle político dos meios de comunicação, favorecendo o setor privado das comunicações.


Págs. 19

  • Miége, Bernard. O Espaço Público: Perpetuado, ampliado e fragmenta. In novos olhares, número3, 1º semestre de 1999, Eca/USP, p. 4-11  Miége distingue quatro modelos para imprensa escrita: 1) imprensa de opinião – caracterizada pela produção artesanal, tiragem reduzidas, estilo polêmico e manifestação de ideias; 2) imprensa comercial – organizada em bases industriais/mercantis, com prioridade para a publicidade e a difusão informativa (notícia), politicamente ligada a democracia parlamentar; 3) mídia de massa – produção definitivamente dependente de investimentos publicitários e técnicas de marketing, predomínio das tecnologias audiovisuais e grande valorização do espetáculo; 4) comunicação generalizada – a reboque do Estado, das grandes organizações comerciais e industriais, dos partidos políticos, a informação insinua-se nas clássicas estruturas socioculturais e permeia as relações intersubjetivas; trata-se aqui do que também se vem chamando de realidade virtual.



Págs. 20

  • Médium é o fluxo comunicacional, acoplado a um dispositivo técnico (à base de tinta e papel, espectro hertziano, cabo computação, etc.) e socialmente produzido pelo mercado capitalista, em que tal extensão que o código produtivo pode torna-se “ambiência” existencial. Assim, a internet, não o computador, é o médium. 

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