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Princípios normativos para uma conversa autêntica

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Boa noite, hoje gostaria de falar acerca da obra O pensar na educação de Matthew Lipman (2001, p 337). Segundo Lipman, existem princípios normativos para uma conversa autêntica, pois a conversação baseia-se numa participação racional entre aqueles que conversam, uma participação entre indivíduos livres e iguais. Então, perguntei :
- Quais os princípios que devem orientar a conversa?
- Primeiro, não me diga menos do que preciso saber. Faça sua contribuição tão informativa quanto for necessário (tendo em vista os objetivos vigentes da troca);
2) não me diga coisas em excesso. Não faça sua contribuição mais informativa do que é necessário;
3) contribua somente com a verdade, não com aquilo que você acredita ser falso;
4) não fale sobre aquilo para o qual você não possui provas;
5) seja pertinente. Existem diferentes tipos e enfoques de pertinência, e estes mudam durante uma troca conversacional. A contribuição deve ser pertinente em relação ao contexto.
6) seja claro;
7) evite ambiguidad…

SERVILISMO COGNITIVO

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Estava lendo um livro quando me deparei com a expressão “servilismo cognitivo”, achei bonita a combinação destas duas palavras e imaginei se seria o mesmo que “servidão voluntária”, um tema a muito discutido, ou seja, você não é um escravo, mas se submete as mesmas condições. Sabedora que o pensamento original crítico e livre passa necessariamente por algum tipo de processamento da experiência, fiquei pensando no contexto em que vivo e nas experiências produzidas a partir dele, então concluí que sou uma pessoa cujo comportamento é de um servilismo cognitivo absurdo. Ao constatar minha condição imaginei os filósofos Sócrates e Kant se revirando no túmulo, ambos críticos severos daqueles que traem sua própria criatividade ao permitirem que outras pessoas pensem por eles. Conforme admoestam, devemos pensar por nós mesmos, e desejar que as outras pessoas pensem por elas mesmas. Nesse sentido, as redes sociais permitem observar que determinados comentários estão imitando as mentes que mai…

FILOSOFIA PARA CRIANÇAS: Um estudo acerca da comunidade de investigação de Matthew Lipman

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FILOSOFIA PARA CRIANÇAS: Um estudo acerca da comunidade de investigação de Matthew Lipman Elizabeth Venâncio[1]
Quando Matthew Lipman pensou acerca de filosofia para crianças, ele o fez em um contexto diferente do que vivemos hoje no Brasil de 2019. Por isso, este trabalho quer examinar se é possível que realidades diferentes, possam atender a necessidades humanas semelhantes. Se for como pretende-se argumentar, o pensamento lipmaniano ultrapassaria as diversas barreiras: sociais, culturais e políticas para ofertar a humanidade um ideal de educação para o pensar crítico. Decorrido quase sessenta anos da proposta de ensinar crianças a pensar filosoficamente e dos debates que aconteceram e continuam repercutido em mais de 30 países, despertou-se o interesse em estudar o assunto nos educadores goianos, preocupados com os índices de deficiências de aprendizagem noticiados por institutos de pesquisa. Assim, em 2017 foi criado o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o ensino de filosofia para cri…

problemas de leitura

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Neste último sábado (30.03.2019), na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, na cidade de Goiânia-GO, reuniram-se o grupo de pesquisa Filosofia para crianças e adolescentes, coordenado pelo Prof. Dr. Wilson Paiva. Trata-se de um diálogo interdisciplinar que debateu do ponto de vista educacional, na perspectiva de Matthew Lipman e José Barrientos-Rastrojo, o desenvolvimento das habilidades de pensar da criança que inclui uma vasta e intricada família de atividades: o pensar matemático e o pensar histórico; o pensar prático e o poético; o pensar que temos quando lemos, escrevemos, dançamos, jogamos, falamos. A linguagem e a matemática, às vezes são chamadas de “habilidades básicas” porque costuma-se dizer que são capazes de abrir as portas para outras habilidades cognitivas, por exemplo, no caso das crianças com problemas de leitura, provavelmente, terá dificuldades em raciocinar de forma lógica, em que as premissas levem a uma conclusão verdadeira. (Autora: Elizabeth Ve…

Plágio, porque te quero!

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(imagem: https://redecontinentalfm.com.br/plagio-um-assunto-para-ser-levado-a-serio)
      Certo dia me convidaram para falar acerca de plágio em uma universidade. Para abordar o assunto busquei primeiro o Código Penal, Art. 148 - Decreto Lei 2848/40, que em uma das tipificações do crime de plágio estabelece pena de reclusão de 2 (dois) a 4 (anos); escolhi cuidadosamente dois exemplos da vida prática: um cidadão que se utilizou de obras de outras pessoas para se promover, afirmando ser de sua autoria, e uma pesquisa realizada em assembleias legislativas de todo o Brasil em 2017, demonstrando que muitos dos projetos de lei aprovados eram cópias.      Em sala de aula expliquei o motivo da minha visita e distribui um formulário perguntando: O que é plágio? Ofereci guloseimas para que a experiência fosse mais prazerosa e houvesse uma possibilidade de empatia entre a professora e os alunos. Quando os estudantes leram suas respostas ficou cristalino que o conceito de plágio não era um proble…

Só os violentos germinam

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Segundo Matthew Lipman, na obra O pensar na educação, existem três pilares que sustentam uma sociedade, modelos de instituições públicas e privadas: a família enquanto valores privados; o Estado representando valores públicos; e a escola como a fusão de ambos.
Das três instituições – família, governo e escola pode-se dizer que a escola simbolicamente representa a produção e circulação do discurso. Então, quando ocorrem agressões a escola, o que está sendo atacado é o discurso da sociedade, como no caso do Massacre de Suzano, no dia 13 de março, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, município de Suzano-SP, momento em que dois atiradores, ambos ex-alunos, mataram cinco estudantes e duas funcionárias da escola.
A ação humana na sociedade se concretiza primeiro no discurso, não há ação humana sem que antes ela se manifeste na linguagem. A partir da linguagem é que se estabelece um modus operandi para a execução da ação.
Conforme Arun Gandhi, “O mundo em que vivemos é aquilo que fazem…
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