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Mostrando postagens de Junho, 2011
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O sol queimou-me.
Tão devagarzinho...
Dia sim, outro também.
As mãos tarimbadas.
Tão devagarzinho...
Dia sim, outro também.
A idade pouca, as tarefas opulentas
Dia sim, outro também.
Abdiquei da escola.
Antes do B – A, BA.
Só durei por ganha-pão.
Dia sim, outro também.
Dinheiro escasso, dores abastadas.
Arroz e feijão.
Dia sim, outro também.

ÉPSILON

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Diante da TV, Sofia Pensa: Como é plausível que tantas coisas caibam dentro de algo tão pequeno? Sentada, quieta, com os olhos levemente fixos no horizonte. Submersa na idéia de que o ser humano inventa tantas coisas para se esquecer de que é um épsilon. Não somos Deuses, muito menos seus filhos. Somos uma centelha de esperança solta ao vento, nada nos distingue do resto do que existe, mas possuímos a coragem de acreditar que o pensamento nos torna superior. Descartes, o filósofo dizia “Penso, logo existo”. Não podemos negar que existimos, mas podemos pensar que o fato de sermos não nos torna melhores ou piores que as estrelas do céu. Podemos ficar felizes em ter ido à lua, em ter arquitetado a internet, os prédios, os carros e tudo mais, contudo o que realizamos não nos fez compreender quem somos, nem respondeu a pergunta: Será que o mundo é grande ou nós somos acanhados demais?

Revelação: Já vivi tanto...

Revelação: Já vivi tanto...: "Já vivi tanto que todos estes anos me parecem uma eternidade. Já hoje, quando me olhei, não me reconheci. Estou consideravelmente bem mais ..." Somos assim, nunca os mesmos, sempre transmudados, mas deve ser por isso a crença na alma, parece que mesmo na mudança existe ao que permanece. parabéns. BELO texto.

Escravo de nevoeiros!

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Anjo... Onde estão tuas feridas?

Príncipe das trevas... Onde está tua verdade?
Mulher...
Homem...
Faceta de uma mesma moeda.
Arrisco inventar que tua existência não é precária.
Ela não é unicamente o que apreendi.
Nestes milênios que te conheço.
Oh! insustentável disparidade! Do quê tu falas?
Discursos de um mundo que não é teu!
Por que a fé em teus olhos?
Agonizante... Escravo de nevoeiros!


Catadora de cabelo!

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“Ah”! Pretensão de voltar
Ao tempo do alvorecer,
Dos sonhos de minha meninice
Dos anos em que só corria!
Alegria, vigor, que sonhos,
Naqueles tempos fugazes,
À sombra das jabuticabeiras..”

Meu avô era abundantemente vaidoso. Gostava dos cabelos cortados a cada quinze dias, nada de tesoura, apreciava a navalha.
Sempre vinha o barbeiro, velho e magricela, com a feição própria das aves esfomeadas do sertão nordestino. Ficava por horas e horas a conversar, falava de um tudo, das brigas de vizinhos, das moças que se perderam, dos rapazes a aprontar e, sobretudo de política, que sempre foi a paixão de meu avô.
Enquanto sua voz esganiçada se projetava além dos muros de nossa casa, os cabelos fragmentavam-se, deslizando serenamente para o chão. Cabelos graúdos, másculos, alguns fios brancos a misturar-se no negro ébano.
Aos meus olhos tudo parecia encantador. Ficava sentada bem perto, observando. Havia uma força emanando daquele pequeno espaço, a sombra do cajueiro, força na expressão do olh…

O malfazejo é não lutar!

Perto dali. Maria José conversa longamente com Efigênia e Isabel.

- É sina de mulher, se conforma!
- Ora Zezé – era assim que Efigênia chamava Maria José – seu marido é um louco e quer levar todos para sua canoa furada. Ontem mesmo, quando vinha da feira ouvi risinho a dizer “Lá vai os garimpeiros”. Tenho vontade de morrer.
- Efigênia tem razão – disse Isabel – não tem um dia que eu não choro. Não durmo mais na mesma cama que Nonato. Ele parece de pedra. Fica lá me olhando... Me olhando...tenho vontade de bater nele até sair sangue.
- Acontece que eles vão de qualquer jeito. Agora, vocês podem escolher.
- Como se fosse fácil – Efigênia.
- Gostar, eu não gosto, mas às vezes penso, que se meus pais não tivessem vindo para cá, talvez eu nem estivesse viva.
- Ora, não diga isto! – falou Isabel
- É a verdade. Era uma seca, uma falta do que comer, do que fazer. Lembro de ficar horas observando o tempo a ondula diante de mim. Aquilo não era vida! Agora temos casa, comida e para Amariano falt…

RONALDO - LIVREIRO: Terror, ontem e hoje