quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Uma força mergulhando suas entranhas na inércia


O Chão limpo exala o cheiro de cera recém espalhada, Antônia, mesmo desacordada, sente o ardor invadir suas narinas. Duela consigo mesma, sua alma luta para abandonar o corpo, mas seu corpo, neste momento, não quer morrer.
Enfraquecida, a cabeça rodopia em mil pensamentos, mesmo possuindo um turbilhão dentro de si é capaz de ouvir os carros passando enlouquecidos pela rua, tudo é confusão.
O som alarga-se e espantada descobre ser apenas uma  pequena poeira solta no firmamento. Flutuado aleatoriamente, nublada, estrábica, tonta, desejosa de escapar, fugir da morte iminente e ter tempo para lutar contra sua insignificância.
Os braços doloridos, pois nas veias de seu corpo corre um sangue amarelado, fraco, sonso... talvez isto explique toda a sua passividade diante da vida.
Por muitos anos detestou ser mulher, pois alguma coisa, que ela não sabia ilustrar, a incomodava. Uma força mergulhando suas entranhas na inércia. Tinha vontade de ser diferente, queria ser capaz de revoltar-se, de uma forma tão completa, que toda a sua estrutura psicológica e física se modificasse, mas continuava sempre com o mesmo sorriso patético dos que ambicionam agradar.
Quis libertasse da servidão materna, que sempre a deixou indignada, afinal estar pronta a atender as necessidades dos filhos, que exigem, que ordenam, que manipulam, tão ferozmente, é de uma obscenidade chocante.
O rosto esfria, formigando pausadamente. Tudo que tem de seu é este ódio que aumenta, majora, sufoca diante do fato de morrer assim, entregue, sem dignidade... Sente a garganta apertasse, perde os sentidos lentamente... Lembrando-se da labuta do tanque cheio de roupas.
Roupas que parecem nunca ficarem limpas, num circulo infinito, suja, limpa, suja, limpa, suja, limpa, suja, limpa, suja, limpa, suja, limpa, suja, limpa, tal qual o tique taque das goteiras de seu barracão e o canta do canarinho da terra.
– Teria nascido apenas para lavar roupas? Pensa Antônia. Ninguém se lembra de quem lava roupa, quem limpa o chão e muito menos de quem lava as vasilhas, porque aparentemente elas se sujam e se limpam por si só.
¬¬- Mulheres do lar são fantasmas!!! – quer gritar Antônia, sentindo o calor de lágrimas correndo por sua face, tudo em sua vida foi tão medíocre que chega a doer. Dói não ser ninguém. Lembrou-se do amado poeta Fernando pessoa que dizia:
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte disso tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Antônia sempre sonhou ser alguém, mas a percepção de que a vida é uma eterna repetição de fatos acontecidos, endoideceu Antônia. Louca ao ponto de permanecer dias internada em clinica psiquiátrica.
Longe de seu cotidiano fica em paz.
Esquece do mundo e de si mesma. Entorpecida pelos remédios, abrigada nos altos muros da compreensão medicinal. Despovoada da angústia que se escondem nas pequenas coisas.
Fragmentos de Antônia, eternos momentos onde quase sempre a língua narcotiza com o gosto salino das panelas entupidas de arroz, feijão, abóbora... A fadiga do choro estridente das crianças, tudo se transmuda em esquecimento e não há mais ninguém no quarto.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Para “eu” me liberta de “mim”.


O que fala o eu de mim? Às vezes digo "para mim" e então um zunzunzum imperativo grita “Para mim! Não, PARA EU!” fico meio azoinada, se já não o era antes, e me embanano em mim. Ops, ou será me embanano em eu? Outras vezes ao telefone, sem pensar em nada, lanço, “vou estar te ligando”. Soam as cornetas, sinos, batuques... e em prantos a língua vernácula me olha estarrecida. "Para mim!" Ops, lá vou eu inundada de mim. Em desespero quero me afogar na gramática, mas ela se recusa, toda tinhosa, cheia de nuances. Assim pode... Assim não pode. Pior que donzela em noite de núpcias. O que preciso mesmo é de um “chip”, programado para solucionar todas as minhas moléstias da língua portuguesa. Um programinha de computador abrigado em minha cabeça, só assim, para “eu” me liberta de “mim”. Bom mesmo seria ser índio, onde o que vale é a língua falada. Tenho certeza de que um indiozinho, depois de me ouvir, diria:
- Que mania de falar bonito! para eu basta que me entendam.
Outro indiozinho:
- Para mim, também.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Temos compaixão do que é nosso

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Temos compaixão do que é nosso.
Se sóis filho, mesmo fora do trilho.
Somos obnubilados pela lembrança do brilho.
Do sorriso da infância.
Das lágrimas pelo machucado.
Do presente aberto no natal.
Das pequenas gentilezas.
Temos compaixão do que é nosso.
Muito mais do que pela dor alheia.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O querer do coração.


Depois de um tempo a gente aprende que realmente é uma ilha, cercada de sentimentos por todos os lados. E que muitas vezes falamos do outro, enquanto agimos da mesma forma. Se alguém me perguntasse se gosto de ser assim. Diria, para mim tudo bem, mas quando tenho de convencer outra ilha de que ela está no caminho errado, surge à impotência. Sim, temos um problema grande, inenarrável e cruel, porque nenhum argumento da razão será útil, quando o que inunda é o sentimento, as sensações, o querer do coração.
De nada adianta conhecer conceitos de ética, moral, justiça, justeza de caráter, se no fundo os sentimentos de passar a perna no outro, de levar vantagens e de conseguir sempre lucro faz o coração bater mais forte.
O dia que o sentimento da paixão estiver interligado a conduta moral e ética correta, então neste dia um justo abrirá um enorme sorriso de contentamento.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Bailarina














Filha minha, bailarina.
Gosto de tangerina
Acesa, quente, vivida lamparina
Ouro da mais profunda mina
No bailar da disciplina
Nunca máquina
Sempre menina
Suave como a neblina
Gueixa de mil mofinas
Alegre faina
Rainha de sua própria sina
Esta é minha filha, bailarina.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O infinito sem memória.


Analiso a maneira como o ser humano age e concluo, singelamente, que nosso movimento é tal qual a expansão dos vírus e dos vermes, que se alastram até destruir seu hospedeiro.
Nada de compaixão, nem piedade, então, não sei de onde surgiram estas palavras tão distantes do humano.
Compreender nossa natureza é fundamental para modificá-la, se é que isto é possível. Como posso pedir a uma árvore que não de frutos? ou ao mar que detenha seu movimento.
Como posso pedir ao humano que seja menos devastador, explorador, cruel, obsceno, e, que converta sua natureza em prol de si mesmo e conviva pacificamente com seu hospedeiro, a terra.
Alimentamos-nos de nosso hospedeiro e o adoecemos e ao final estaremos todos mortos e o infinito sem memória.

domingo, 4 de setembro de 2011

Mudança


Censura que intervém,
no vaivém do ser que fulgura!
Somos reféns da cobiça.
Assim, pacata, tenho medo!
Perturbações,
Suspiros,
Preciso reorganizar meu infinito.
Ilustrar vestígios de conceitos.
E tomar a decisão de não sentir dor.
Desnacionalizada sem culpa.
Apenas, território da ação.
Ação...
Paixão...
Bagatela de ilusão...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quando a "Classe Política' terá caráter, para salvar a saúde do povo brasileiro.

A presidenta Dilma chamou de demagogo, quem reclama da saúde pública.
Dizendo que antes deveriam falar de onde virá o dinheiro.
Ora, presidenta, o orçamento acaba de ser cortado, para manter dinheiro parado nas mãos de banqueiros.
Ora, presidenta, o imposto de renda não foi reajustado, para surrupiar o dinheiro do contribuinte.
Dinheiro para a saúde tem de sobra nos cofres da União e nas algibeiras da corrupção.
O que falta é respeito com o povo.
Não é da onde virá o dinheiro para a  saúde!
Mas sim, quando  a Classe Política terá caráter,  para salvar a saúde do povo brasileiro.