Para “eu” me liberta de “mim”.


O que fala o eu de mim? Às vezes digo "para mim" e então um zunzunzum imperativo grita “Para mim! Não, PARA EU!” fico meio azoinada, se já não o era antes, e me embanano em mim. Ops, ou será me embanano em eu? Outras vezes ao telefone, sem pensar em nada, lanço, “vou estar te ligando”. Soam as cornetas, sinos, batuques... e em prantos a língua vernácula me olha estarrecida. "Para mim!" Ops, lá vou eu inundada de mim. Em desespero quero me afogar na gramática, mas ela se recusa, toda tinhosa, cheia de nuances. Assim pode... Assim não pode. Pior que donzela em noite de núpcias. O que preciso mesmo é de um “chip”, programado para solucionar todas as minhas moléstias da língua portuguesa. Um programinha de computador abrigado em minha cabeça, só assim, para “eu” me liberta de “mim”. Bom mesmo seria ser índio, onde o que vale é a língua falada. Tenho certeza de que um indiozinho, depois de me ouvir, diria:
- Que mania de falar bonito! para eu basta que me entendam.
Outro indiozinho:
- Para mim, também.

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