terça-feira, 22 de maio de 2012

O QUÊ FOI?



- O quê foi? – falou Maria.
- Não sei. Tudo é severo, inexplicável.
- Por que está em meu quarto?   
- Estou em todos os lugares com você.
- É sempre assim, sem lucidez.
- Ora, não reconhece meu olhar de repreensão.
- É tão difícil agradá-la.
- Por que conheço seus sonhos de infância,  os mais longínquos.
- Qual o problema?
- O tempo se esgota.   
- O quê quer?
- Responda você! Eu sou apenas um reflexo no espelho. 

sábado, 5 de maio de 2012

PERCEBO O INDISTINGUÍVEL


Corro sozinha, nenhum vocábulo, somente axiomas.
Revivo meus entes queridos, que não posso tocar.
Lembro coisas que fiz há anos e que ainda me sinto culpada.
Perdôo a mim mesma e corro.
Reflito acerca de tudo, noto as árvores.
Gosto mesmo de correr sozinha!
O tempo se torna infinito.
Arrazôo a teoria do caos.
Penso em mil formulações e conceitos, querendo definir o que sou.
Quem sou?
Gosto de correr sozinha, mas nunca estou só.
Convivo com os pisares desengonçados, elegantes, vacilantes... de tantos que não sou eu.
Sou diferente...
E mesmo diferente faço parte, como se fosse um fragmento da calçada, um pedaço do  céu.
Gosto de correr sozinha, por que percebo o indistinguível.