quinta-feira, 21 de julho de 2016

Poema: Qual será a expressão de seus discursos?



Sinto que a vida é assim...
Uma comunhão com a terra
Então, será também uma comunhão com Deus?

Sinto que a vida é assim...
Além do bem e do mal
Então, em que momento se dá a moral?

Sinto que a vida é assim...
Uma ideia é, de alguma maneira, anterior às coisas
Então, o que existe são coisas ou ideias?

Sinto que a vida é assim...
Um amor cheio de exigências superiores
Então, porque tanto ódio?

Sinto que a vida é assim...
Não posso reinventar a cultura
Então, existirá cultura?

Sinto que a vida é assim...
Uma metamorfose de direitos e deveres
Então, temos cidadania?

Sinto que a vida é assim...
Um sujeito individual como instância última do discurso

Então, qual será a expressão de seus discursos?


Elizabeth Venâncio
filósofa

terça-feira, 19 de julho de 2016

Dica de leitura: MORAES, Ângela; SIGNATES, Luiz(ORG.) Cidadania comunicacional: teoria, epistemologia e pesquisa, Goiânia: Gráfica UFG, 2016.

Incomoda-me observar que os intelectuais goianos estão produzindo pensamento de alta qualidade que não chegam ao público que deveria, por isso quero indicar como leitura:  “Cidadania comunicacional: Teoria, Epistemologia e Pesquisa”, principalmente o texto de Luiz Signates e Ângela Moraes. A ideia fundante do livro é: “Sem comunicação, não há cidadania. Conforme as concepções de direito abstraídas da noção de cidadania e aplicadas à noção de comunicação especificada, é possível trabalhar com a hipótese de que não existe cidadania, sequer como possibilidade, fora de um processo comunicacional que a viabiliza, estabeleça e desenvolva.”(SIGNATES,MORAES,2016,p. 25) 




sexta-feira, 15 de julho de 2016

Não se aprende a comunicar poderosamente, mas também não se vive sem tentar

















Não se aprende a comunicar eficientemente porque fica-se velho.
O outro é sempre uma esfinge pronta a nos devorar.
Parece que as mensagens são difusas, precárias, vaporosas...

Não se aprende a comunicar claramente observando o mundo
ele nunca é o mesmo, são apenas interações.
Parece que as mensagens não são pra mim, são difusas, precárias, vaporosas...

Não se aprende a comunicar poderosamente, mas também não se vive sem tentar.

A linguagem do terrorismo


          Neste texto pretende-se contribuir para a discussão acerca da interpretação das ações terroristas em uma perspectiva comunicacional, não desmerecendo as demais. Parte-se da noção de que toda fala é uma tentativa de manipulação. Os terroristas são pessoas que acreditam nessa máxima e estão no mundo sinalizando e emitido uma mensagem de significação identitária.
        A representação social do terrorista é uma reflexão difusa de suas ações, ou seja, ao invés da luz, temos o ato terrorista se refletindo em muitos ângulos em nossa sociedade globalizada. O senso comum observa que o terrorismo dispara seu ódio em todas as direções, mas identifica sua unidade enquanto grupo em disputa, cuja ação atinge o espaço público.
       Em termos comunicacionais não se ataca o indivíduo, mas sim a identidade de uma nação. O que esta sendo comunicado é da esfera das trocas simbólicas entre ideologias. No sistema de ideias do terror não há preocupação com a história das vítimas, pois o que se comunica é que, apesar de sua manifesta supremacia, o país atacado não consegue proteger o seu povo.
       A França sofre com ações de comunicação estratégica terrorista, com o intuito de desmoralizá-la. Basta observar que se o ato terrorista incidisse no local de reunião do Congresso francês, no famoso Palácio de Versalhes, um alvo político e previsível, não teria o efeito de promover o reconhecimento de um poder-terrorista pulverizado no mundo.
       O valor simbólico da França para os terroristas encontra-se não apenas nas ideias de liberdade de expressão e informação dos franceses, mas, sobretudo na imagem concebida de um povo-cidadão, em outras palavras, a cidadania cor-de-rosa que os franceses vendem ao mundo, não se realiza diante da necessidade de uma identidade em um grupo minoritário. No mundo globalizado a cidadania contém bairrismos, isolacionismos e principalmente segregação.
      O terrorismo está conseguindo fazer paira no ar, de forma onipresente, a insegurança: De onde virá o ataque? O que será o alvo? São questões disseminadas no imaginário coletivo. Temas que são a essência da ação comunicativa terrorista.
       Discute-se aqui, o terrorismo que centra sua luta contra a hegemonia das ideias Europeias e Norte Americanas e que vão construindo seu sentido no mundo e firmando sua identidade como: aqueles que não expressão compaixão; que podem estar em qualquer lugar ou ser qualquer pessoa; uma massa imprevisível e furiosa.    
    Desse modo, multiplicam-se as ações terroristas e as tentativas de contê-las, mas seu caráter especificamente comunicacional não está sendo levado em conta, momento em que o sentido simbólico da fala ecoa no vazio e não se abre um canal de diálogo para a consensualidade e civilidade.


Elizabeth Venâncio

Filósofa, jornalista, mestranda em comunicação – UFG