PEQUENO URSO



Um urso muito pequeno e carinhoso caminhou até um rio enorme e ficou observando os peixes passarem por ele. Tudo o que conseguia ver era a imensidão das águas, a forma voluptuosa como o vento majorava as  ondas.
O rio corria forte, intransponível, soberano, nunca igual, sempre novo, desafiando a vontade. No meio do rio, os peixes a zombar do pequeno urso, que sentiu seus olhos  ficar turvos e uma lágrima percorrer quieta  seu rosto. Ele experimentava sua impotência e a culpa por sua covardia. O rio era demais para o pequeno urso, então se sentou e esperou que seu corpo nada pedisse.
- Que faz aí? Perguntou a gaivota
- Observo os peixes. Respondeu o urso
- É um artista?
- Não, tenho fome.
- Então, por que não se joga no rio?
- Por medo de minha insignificância. Não vê a imensidão, com certeza morrerei.
- De todo modo morrerá.  Você já tem um não, agora precisa correr atrás do seu sim.
O urso pensou, refletiu e galopou para o rio.

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Dica de leitura: MORAES, Ângela; SIGNATES, Luiz(ORG.) Cidadania comunicacional: teoria, epistemologia e pesquisa, Goiânia: Gráfica UFG, 2016.