quarta-feira, 26 de outubro de 2016

#todoscontraPEC241


               A potencialidade do Brasil está em perigo com a PEC 241.  Aristóteles, filósofo da Grécia antiga ponderava que tudo que há no mundo possui uma potencialidade. A semente tem a possibilidade de se tornar uma árvore, a criança de ser um adulto, uma nação de suprir as necessidades de seus cidadãos, mas é apenas potencialidade, quando algo interfere a semente poderá não germinar.
               Alguns discursos recentes tecem um cenário nebuloso e de difícil solução econômica para o Brasil. As premissas dos argumentos são para concluir que somente limitando por 20 anos as despesas com serviços públicos nas áreas de saúde, segurança, previdência social e educação haverá condições para resolver a situação.
               Ora, o Japão pós-guerra estava muito pior do que o Brasil e não limitou gastos com a educação, nem diminuiu investimentos para o domínio de novas tecnologias, que necessita de pesquisas dentro das universidades; investiu na produção voltada à exportação e eficiência, ou seja, ao contrário do raciocínio débil do governo brasileiro com a PEC 241, os japoneses souberam pesar o que tinha valor para o seu futuro e hoje colhe os frutos de um caminho conhecido e acertado.
               Economistas apontam outras soluções para superar o desequilíbrio fiscal, tais como, melhorar a transparência e qualidade do gasto público; revisar a estrutura tributária tornando-a progressiva; taxar os lucros e dividendos; combater a sonegação e a recuperação da receita pela retomada do crescimento econômico, através do investimento público fiscalizado e das parcerias privadas.
               O cerne da questão é: que tipo de “sociedade” será o Brasil daqui a 20 anos com a PEC 241? Como será possível criar uma ordem social que permita uma melhor harmonização entre as necessidades e inclinações do mercado econômico e as prioridades básicas dos cidadãos?
               Os indivíduos trabalham cooperativamente pela manutenção e eficiência do todo social. Desse modo, se grande parte laboram por que o desenvolvimento da sociedade ocorre de maneira a que apenas alguns sejam privilegiados. Nesse país, as práticas sociais de corrupção estão obscurecendo a capacidade dos governantes de pensar acertadamente sobre o futuro da nação, bem como, na importância do bem-estar social.
               Enfim, nesse texto, pode-se pensar que se a PEC 241 for aprovada será uma ação coletiva planejada por todos nós juntos? Ela só existirá porque há um grande número de pessoas que pensando racionalmente concluíram que o futuro se encontra no esquecimento de nossa potencialidade para o crescimento sustentável.
              

Elizabeth Venâncio
Filósofa, mestranda em comunicação - UFG