Ganho e perda
O jovem Antônio, com os olhos turvos pela angústia, observa a panela de ferro, onde Godofredo, seu galo de estimação, jazia despedaçado, cercado por caroços de pequi. Seu pai, parado ao lado, disse: "Você precisa deixar essas coisas de criança, onde já se viu um homem desta idade andar por aí conversando com um galo" O filho retrucou: "Ele me ouvia, gostava de mim" O pai defendeu sua atitude: "Você agora tem que trabalhar na roça, como seus irmãos" Antônio gritou: "Quero estudar pai, ser médico. Não nasci pra ser árvore, sou passarinho" O pai pela primeira vez reconheceu o filho como uma pessoa que tem ideias, sentimentos, desejos, pensamentos...antes, era para ele, um moleque de cabeça oca. Abraçou Antônio e com uma voz rouca disse: "Sinto muito, por favor me perdoa, te amo e sou grato por você ser meu filho." Por um momento, ambos ficaram entrelaçados, dois corações unidos em silêncio, seres únicos, conectados por um fio invisíveis...
Que coisa mais linda, Elizabeth! Muito obrigada! Beijos!
ResponderExcluirObrigado por me teres permitido ver esta maravilha!
ResponderExcluirTambém achei belíssimo, mas em oposição ao que lembra Eduardo Galeano a respeito do que pensa Fernando Birri sobre a utopia, José Saramago, que não é contra o direito de sonhar, mas sim contra o vazio das idéias utópicas, é da seguite opinião;
ResponderExcluir"Quando eu vos digo que não sou um utopista e que até admiti, com toda franqueza, que me desagrada o discurso sobre a utopia, é porque é o discurso sobre o não-existente. Toda gente sabe que a utopia é um lugar que está em um lugar qualquer e que, portanto, não se sabe, não se conhece o destino, também não se sabe o caminho para lá chegar. Também não se saberá quando.
A utopia, no fundo no fundo, em termos práticos, significa que eu necessito de umas tantas coisas, quer como pessoa, quer como membro de uma coletividade, de uma sociedade, mas sou consciente de que não se pode ter agora – porque os inimigos são mais poderosos, porque me faltam os meios, porque a fruta não está madura. E, portanto, digo: “Ponto. Isso que não pode ser agora, tem de sê-lo um dia”. Hitler também dizia que o regime nacional-socialista era para durar dois mil anos, e aqui está outra utopia. E vivemos utopias como vivemos há séculos de mitos, de crenças, vivemos de coisas que não têm nada que ver com a razão. Basta ver a multiplicação das igrejas, das seitas, de tudo isso, que não têm nada para dar, mas que têm tudo para prometer. E essas são formas de utopias".
José Saramago
É uma opinião que me faz refletir um pouco,contudo não tira a beleza do texto de Eduardo Galeano.
Um forte abraço