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Tudo que um dia teve importância já foi dito

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Não tenho nada a dizer. Tudo que um dia teve importância já foi dito. Não tenho nada a dizer. Por que abomino não ser  original. Todos os ouvidos estão surdos. Mas as bocas não param de falar. Nenhum som é maior que a devoção aos PRÓPRIOS princípios. Sejam eles quais forem. É preciso ter coragem para pensar. Saber que o seu pensar é tosco. E mesmo assim continuar tentando. É necessário um esforço descomunal para não gritar. G R I T A R      D I A N T E      D O      I M E N S U R Á V E L

FOFOCA

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Uai! Lá vem Sofia, filha de Manoel das Cruzes, e Ambrósio, filho de um grande amigo meu, Venâncio, aquele que mora lá pras bandas do Rio do Peixe. Epa!! De onde estão vindo estes dois, desconjuro! Cruz Credo! De pensar que seus pais não se bicam. Venâncio é uma boa pessoa, mas quando pisam no seu calo, sai de baixo, vira bicho, só vendo, Agora o Manoel das Cruzes, tá   pra nascer cabra tão ruim.             Mas vamos deixar disto que vosmicês é capaz de pensar que sou fofoqueiro, num sabe que fofoca a gente aqui de Pilar de Goiás não faz não, o máximo é um “comentariozinho sem maldade.” Temos até uma história que apresenta bem esta cidade.              Tudo aconteceu quando foram contar para Cida, Filha de Tiquinha, que viram ela e o Bastião Gudinho   lá pras bandas do morro do suspiro, que tem este nome... Bão, deixa pra lá.     ...

Cofiemos na conquista dos Africanos!!

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  Como brasileira, morando em um país cujas leis possuem um rol de direitos e garantias fundamentais, baseadas no chamado "Princípio da Dignidade Humana”, t enho acompanhado com preocupação, desde 10 de agosto, a greve nas minas de platina da companhia Lonmin, n a África do Sul. Mineiros reivindicam aumento salarial e condições de trabalho. Acreditamos que a humanidade já deveria ter superado situações como esta, em que trabalhadores chegam ao extremo de abrir mão da própria vida, para aprimorar as condições de trabalho e diminuir a desigualdade financeira de uma categoria profissional. Os mineiros são donos de uma história de enfrentamento racial, entre os negros e a minoria branca, que dominava o país e, economicamente, continuam dominando. Podemos observar r esquício desta cultura com a decisão de prender os mineiros grevistas, aplicando a doutrina do "propósito comum", que durante o “apartheid” foi utilizada para perseguir e deter sistematicamente aos cida...

Que parâmetros nos mantém vivos?

Durante muitos e muitos anos eu li. Livros, pessoas, ruas, calçadas... Mas nada se fez distinto. Claro, conciso, limpo.... Que parâmetros nos mantém vivos? Sobreviventes do caos. Durante muitos e muitos anos observei o mundo. Que nunca era o mesmo. Na multiplicidade ou na dualidade. Não consigo fazer a síntese. Bom ou ruim depende do ponto. Não depende de mim.

Tabu: homossexualidade

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Estou incomodada desde o momento em que li o artigo Ensinar a pensar? da jornalista Rosângela Chaves, na quarta-feira, no jornal Opopular. Nele encontrei todos os elementos que estudamos no curso de Filosofia. Reconheci, de imediato, as palavras, os filósofos citados e a intenção do texto em dizer que existem outras perspectivas ao pensamento. É possível pensar diferente daquilo que encontramos no mundo que nos abraça. A idéia contida no texto vem passando de geração a geração, entusiasmando a juventude a tentar pensar um conceito novo para a sociedade. O que não está visível é que é impossível pensar o novo se o antigo não nos incomoda. Ora, hoje podemos dizer, em alto e bom som, que não discriminem os outros pela sua orientação sexual. Afinal, o amor também pode ocorrer entre gays e lésbicas. Quem poderia fazer está afirmação em 1880, no Brasil? Parece algo impensável para aquela época e perfeitamente natural para hoje. Podemos dizer que estamos criando um conceito diferente...

FELIPE

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Felipe relembra o nascer do dia em Goiás. As crianças acordando para a aula de dona Tita-olho-roxo. Sete e meia o sino toca, todos correm fazendo fila para o hino nacional. Cada fila com dez crianças, os menores na frente, construindo uma estranha escada. Rosto levantado. Mão no peito e após o hino vem o pai nosso, cantado com voz de cotovia. De repente uma matraca se punha no meio do bando, no fim de tudo: – Bom dia Dona Tita! Gritava o coro. Quase sempre a resposta era um muxoxo, um ranger de dentes apertado, sofrido, como canção de retirante, parecendo mais um adeus ao filho que vai a guerra ou que morreu. Dona Tita-olho-roxo é o retrato do sofrimento. Padecia muito, era o que todos diziam. Havia uma aceitação social do fato. As crianças não entendiam muito bem por que ela sofria. Só se recordam das palavras dos pais – não contraria Dona Tita, coitada! Seja obediente para dona Tita, tadinha! E as frases se repetiam, sempre mudando os adjetivos, coitada, desgraçada, infeliz......

MOÇAS DE FAMÍLIA

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               Felipe observa a pequena cidade de Goiás, cercada de montanhas e construída em solo colonial. A cidade tem de encanto os casarios, cujos quintais terminam em córregos de água fresca.                 Antigamente nos salões passeavam os herdeiros da riqueza, sustentada pela exploração do ouro. Falando tanto o francês quanto o português. As igrejas construídas por escravos ostentam imagens barrocas pintadas a ouro, obra do escultor Veiga Valle.             Em outras épocas  o luxo dos livros e das sedas importadas convivia com a desesperança. Nas primeiras décadas do século XX, já não se construía mais do que uma casa por ano, e nas noites de luar, o lirismo das serenatas era pontuado pelos gemidos da febre, provocada pelo esgoto que corria  a céu aberto.           ...