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MOÇAS DE FAMÍLIA

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               Felipe observa a pequena cidade de Goiás, cercada de montanhas e construída em solo colonial. A cidade tem de encanto os casarios, cujos quintais terminam em córregos de água fresca.                 Antigamente nos salões passeavam os herdeiros da riqueza, sustentada pela exploração do ouro. Falando tanto o francês quanto o português. As igrejas construídas por escravos ostentam imagens barrocas pintadas a ouro, obra do escultor Veiga Valle.             Em outras épocas  o luxo dos livros e das sedas importadas convivia com a desesperança. Nas primeiras décadas do século XX, já não se construía mais do que uma casa por ano, e nas noites de luar, o lirismo das serenatas era pontuado pelos gemidos da febre, provocada pelo esgoto que corria  a céu aberto.           ...

SOMENTE A FLUIDEZ É ETERNA

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  Rubens Alves é um escritor saboroso. Ao longo de seus textos vamos degustando pequenos pedaços de prazer. Martha Medeiros é cotiano.   Pinceladas de felicidade por nada. Nos dois podemos perceber um encantamento. O gozo de estar no mundo, sem   que o peso de todas as coisas o atormente. Amo escritores como Gabriel García Márquez, Cecilia Meireles, Vinicius de Moraes, Umberto Eco, Regina Magnabosco, Carla Ceres, MFC,   e tantos. Quiserá que meu ser fosse assim, SEDUTOR. Ontem, tive tantos pensamentos bonitos; de repente tudo é confusão. Sou fenomenológica. Observo os fenômenos e nada é.   Tudo desliza e me perco. Não sei o que é ser ética, nem moral. Quiserá defender uma “causa”, ou acredita que existem “causas” para serem defendidas. Somente a fluidez é eterna. Esta certeza consome.

O QUÊ FOI?

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- O quê foi? – falou Maria. - Não sei. Tudo é severo, inexplicável. - Por que está em meu quarto?    - Estou em todos os lugares com você. - É sempre assim, sem lucidez. - Ora, não reconhece meu olhar de repreensão. - É tão difícil agradá-la. - Por que conheço seus sonhos de infância,  os mais longínquos. - Qual o problema? - O tempo se esgota.    - O quê quer? - Responda você! Eu sou apenas um reflexo no espelho. 

PERCEBO O INDISTINGUÍVEL

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Corro sozinha, nenhum vocábulo, somente axiomas. Revivo meus entes queridos, que não posso tocar. Lembro coisas que fiz há anos e que ainda me sinto culpada. Perdôo a mim mesma e corro. Reflito acerca de tudo, noto as árvores. Gosto mesmo de correr sozinha! O tempo se torna infinito. Arrazôo a teoria do caos. Penso em mil formulações e conceitos, querendo definir o que sou. Quem sou? Gosto de correr sozinha, mas nunca estou só. Convivo com os pisares desengonçados, elegantes, vacilantes... de tantos que não sou eu. Sou diferente... E mesmo diferente faço parte, como se fosse um fragmento da calçada, um pedaço do  céu. Gosto de correr sozinha, por que percebo o indistinguível.

PÁSSARO SEM CANTO

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  Quero teus olhos nos meus! Todas as palavras na boca! Quero  entender o caos, sintetizando a manhã. Há dor na proximidade que cala. Obscurecendo o  infinito. Está tudo aí? Não sei. Preciso das palavras, não das caretas. Signos e sons... Quero morrer com as sílabas. Nunca no silêncio do ser obnubilado? Pássaro sem canto.

A escolha ecoa no infinito

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Somos eternamente responsáveis por nossas escolhas. Mesmo diante do imponderável. Ainda, confiando que não há alternativa. Sempre será uma escolha. Uma senhora envelhecida e dois filhos adultos e drogados. Opções: deixar que os filhos sigam seu caminho, OU permanecer no inevitável sofrimento: violência, roubo, desrespeito... Quem poderá julgar? Os deuses nos permitiram escolher, mas a escolha ecoa no infinito.

Como deixa-las falar?

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É bizarro desejar algo ardentemente e não ter a graça divina para alcança-la. De onde virá o anseio? O gosto doce do encontro com as letras. A palavra no papel. Precariedade de aptidão. Histórias presas em mim. Querendo ganhar vida. Viver amores, tragédias... Como deixa-las falar?