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• Onde encontrar? • O quê? • A libertação de minha servidão! • Que servidão? • A do desejo que balança meus olhos! • Conhece-se a servidão? • Sim, mas não como livrar-me dela! • A resposta não está no desejo, muito menos na servidão! • Então onde? • Em você! • Sou livre para conhecer minha condição de servidão, mas sou escravo por não escolher a liberdade? • Ao conhecer suas correntes é capaz de julgar se permanece acorrentado! • O medo e o prazer me detêm! Medo do desconhecido e prazer no experimentado. • Então já escolheu? • Minha angústia, minha culpa por ser covarde é tudo que tenho! • Não só você mais milhões...!

FÉRIAS

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  As férias chegou e com ela a sensação de não querer. Nenhuma linha no papel! Nenhum esforço! Nada! Apenas o aquietar, nadificando o todo.

Só me levanto por que é injusto desperdiçar um olhar

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. Só me levanto por que é injusto desperdiçar um olhar mas me aborrece este fluir jacente... Agonia perpetua, acolho o que me pertence. Sei que o executável é pouco, assim, não esqueço do que me ilude, pois é justamente no incognoscível, na pequenez dos muitos universos, na insignificância que não permite a satisfação, que me encontro. Afinal, o que seriam dos contos de fadas sem as bruxas.

Não é no silenciar que encontraremos a resposta para o problema.

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Acordei com uma sensação de indignação. Estou indignada comigo, pois um amigo morreu na fila do Hospital de Urgência de Goiânia e eu não disse palavras. Todos os dias os jornais noticiam a mesma coisa, mas hoje eu conhecia o motivador da reportagem. Um rapaz de 36 anos, que depois de um dia inteiro sem assistência hospitalar morreu, como morrem milhões de brasileiros sem direito a atendimento. Até a metade do século XX, não existia sistema de saúde no Brasil. Quem tinha dinheiro era tratado em instituições privadas e os trabalhadores em clinicas e hospitais dos sindicatos. Nas áreas urbanas, os pobres procuravam ajuda nas instituições filantrópicas. Nas áreas rurais, camponeses e meeiros tinham de confiar em curandeiros ou cuidadores leigos para suas necessidades de saúde. No auge da redemocratização do país, a Constituição de 1988 declarou que a saúde era um direito do cidadão e um dever do Estado. Posteriormente, foi organizado o Sistema Único de Saúde, ou SUS, com os princípios da...

NADA PRECISAVA SER EXPLICADO

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Dois dias era o tempo exato que afastava Joana do aniquilamento da mãe, mas para ela o tempo não existia. Olhava para o fogão e via nitidamente a mãe fazendo o café, com seu jeito calmo e acomodado. Joana observa a mãe com estranheza. Seus olhos captavam uma cena, que parecia um quadro pintado por algum gênio criador, onde as cores se misturavam, se complementavam, numa dança suave e perturbadora. O que era existir? Pensou  Joana. Se alguém não me conhece eu não existo, afinal só a consciência do outro é que me faz concreta. Sou concreta dentro da cabeça de alguém. Fora dela não sou, então, o que serei eu? apenas um pensamento de alguém. Muitos pensamentos atravessavam a mente de Joana e ela tentava encontrar uma explicação, arriscando entender porque a mãe deixou de ser. Joana sonhava, mas não um sonho comum ou surrealista, era mais uma visão, como se não estivesse dormindo. Ela notava seu espírito se projetando além do seu corpo, sorria diante de uma luz azulada, que cobria ...

NÃO CHORAVA POR DESCONHECIDOS

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     Joana correu, com movimentos acelerados, um pé na frente do outro sem trégua e nenhum lugar parecia bom para descansar. Doía-lhe tudo, os cabelos, as pernas, a barriga, os olhos, que não cessavam de verter lágrimas. Uma dor tão grande, sem lugar. Sentia que estava pronta para enlouquecer. Tudo rompendo, como uma terrível tempestade, raios enormes, trovões assustadores. Joana caiu gritando, urrando, como um animal abatido.    Depois de algumas horas a calma. Lembrou-se dos 8 irmãos que teria de alimentar, vestir, confortar... Recordou o olhar desolado do pai e o pedido da mãe para que tomasse conta de todos.    Não podia pensar com seus 12 anos, pois a única coisa que queria era que a mãe não tivesse morrido e pudesse colocá-la no colo. O cheio de mãe é tão bom. A quenturinha que exala do seu corpo, parece cheiro de mel pensou.    Joana balançou a cabeça, levantou e caminhou de volta para casa. Tinha os ombros alçados, tal qual solda...

como dizia MFC

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mfc disse... Todo o vento é mensageiro! Todo o vento é mudança! Todo o vento deve ser ouvido... Joana caminhou rapidamente até o rio. Seus olhos estavam alheios, fixos em algo que não pertencia àquele lugar. O ar apertado, sem vento, fazendo todos os sentidos de Joana aguçar. Com o pote, ela pegou água, colocou na cabeça e retornou para junto de sua mãe. Avistou a pequena casa e ouviu o murmurar das mulheres a rezar. Na porta, sentado em um banco de madeira, permanecia seu pai por mais de 20 horas, com o mesmo olhar de Joana. Ao longe 8 crianças brincam sem saber de nada. Joana observou a correria do pique - esconde e deseja não ser a irmã mais velha. Queria brincar, correr, não desejava continua ali, ouvindo os gritos, escutando o cochicho das vizinhas, sem poder fazer nada. - Joana! - Sim. - Entre no quarto, sua mãe chama. As pernas bambearam, o coração disparou. Entrou com a sensação dos mal-afortunados. Não reconheceu o rosto da mãe, transfigurado de dor, de uma palidez bucól...